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ESTUDO MAPPA

Em seguimento

Ensaio clínico controlado randomizado comparando metilfenidato e treinamento parental no tratamento de crianças pré-escolares com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é um dos transtornos mentais mais comuns entre crianças e está associado a importantes desfechos funcionais negativos ao longo do desenvolvimento. Os primeiros sinais e sintomas tornam-se evidente na idade pré-escolar. 

Intervenções precoces nesta população têm o potencial de limitar o impacto negativo do transtorno e prevenir prejuízos futuros aos indivíduos afetados. O medicamento de primeira escolha para o tratamento do TDAH é o metilfenidato, que tem evidências de eficácia e segurança em crianças pré-escolares. No entanto, preocupações não baseadas em evidências em humanos e pressões da mídia colocaram o treinamento parental como tratamento de primeira linha para o TDAH em diretrizes clínicas. O treinamento parental é uma intervenção comportamental implementada junto aos pais, com sessões semanais por 8 semanas, pertinente para tratar sintomas e comportamentos disfuncionais do TDAH. No entanto, o nível de evidência para esta intervenção é reduzido. Além disso, a necessidade de terapeutas treinados e disponíveis na rede pública, além de dificuldades de adesão e de entendimento dos pais, limitam a sua generalização e deixam dúvidas em relação a sua indicação. Nenhum estudo havia comparado o tratamento medicamentoso com metilfenidato a treinamento parental em crianças pré-escolares com TDAH em relação à eficácia clínica e custo-efetividade. E nenhum estudo havia avaliado o impacto que intervenções medicamentosas e psicoterápicas têm sobre mecanismos neurobiológicos envolvidos no TDAH, o que é essencial para dimensionar o impacto que têm sobre as trajetórias do neurodesenvolvimento. 

O objetivo deste estudo foi  avaliar a eficácia, tolerabilidade e aceitabilidade do tratamento medicamentoso com metilfenidato comparado a treinamento parental e um grupo controle (com intervenção placebo) em crianças pré-escolares com TDAH.

 

Este estudo consistiu em um ensaio clínico randomizado, duplo cego, de grupos paralelos, avaliando duas intervenções ativas e grupo controle. Cento e cinquenta e três crianças com idade entre 3 anos e 11 meses e 5 anos e 11 meses, com diagnóstico de TDAH, foram randomizadas para receber tratamento com metilfenidato (51 crianças), treinamento parental (51 crianças) ou pertencer a grupo controle sem tratamento (51 crianças). O tratamento teve duração de 14 semanas, os desfechos neurobiológicos foram avaliados antes e após o tratamento e desfechos clínicos foram avaliados nas semanas 0, 4 e 8. Estão sendo  avaliadas 50 crianças com desenvolvimento típico em relação às medidas neurobiológicas (em andamento).

 

Este estudo propôs uma análise inovadora e relevante, que permitirá o avanço do conhecimento dos mecanismos biológicos relacionados ao TDAH e à resposta ao tratamento, proporcionando ampliar evidências para nortear as propostas de prevenção e intervenção precoces.  

 

O Estudo MAPPA ocorreu entre 2016 a 2019. Atualmente, os dados do estudo estão sendo analisados para posterior publicação dos resultado. O estudo continua realizando avaliações de seguimento dos participantes, com término previsto para 2022.